Com a inflação a apertar o orçamento das famílias, escolher bem onde colocar as poupanças faz toda a diferença. Neste artigo comparamos os Certificados de Aforro e os Depósitos a Prazo, duas das aplicações financeiras mais procuradas em Portugal por quem procura poupança sem risco.
Certificados de Aforro: vantagens e limitações
Os Certificados de Aforro são um produto de dívida pública, emitido pelo Estado português através do IGCP (Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública). Atualmente, só está disponível para subscrição a Série F, uma vez que a Série E deixou de aceitar novas entradas em 2023.
Como funciona a rentabilidade juros dos Certificados de Aforro:
- A taxa de juro base está indexada à Euribor a 3 meses, com um teto máximo de 2,5%.
- Em agosto de 2026, a taxa bruta de novas subscrições da Série F situava-se em torno de 2,47%.
- A este valor soma-se um prémio de permanência que aumenta com o tempo de subscrição, podendo elevar a remuneração total até um máximo teórico de 4,25% para quem mantiver o capital investido durante mais anos.
- Quem ainda detém Certificados da antiga Série E beneficia de uma fórmula mais vantajosa, com rendimentos líquidos que, em alguns casos, superam os 3%.
Vantagens principais:
- Garantia do Estado português, considerada uma das formas mais seguras de aplicar dinheiro no país.
- Isenção de comissões de subscrição, manutenção ou reembolso.
- Possibilidade de resgate antecipado, total ou parcial, sem grandes penalizações após o primeiro ano.
- Subscrição acessível a partir de valores baixos (normalmente desde 100€).
Limitações a considerar:
- A rentabilidade tem vindo a ser revista mensalmente, o que introduz alguma imprevisibilidade sobre o retorno futuro.
- O prémio de permanência mais elevado só é atingido a médio/longo prazo, penalizando quem levanta o dinheiro cedo.
- Os juros são pagos anualmente e sujeitos à taxa liberatória de 28% (como acontece na generalidade dos produtos de poupança em Portugal).
- Não é possível transferir a titularidade nem usar o produto como garantia de crédito.
Depósitos a Prazo: a oferta atual dos bancos em Portugal
Os Depósitos a Prazo continuam a ser a aplicação financeira mais popular entre os portugueses, sobretudo pela simplicidade e pela ampla oferta bancária.
Panorama de taxas em 2026:
- A taxa média dos novos depósitos a prazo até 1 ano, segundo dados do Banco de Portugal, ronda atualmente os 1,3% a 1,4% TANB (Taxa Anual Nominal Bruta).
- No entanto, as melhores campanhas comerciais — normalmente associadas a prazos curtos (3 a 6 meses) ou a clientes novos — chegam a oferecer entre 2% e 3% TANB.
- Para prazos de 12 meses, as ofertas mais competitivas rondam os 2,40% TANB.
- Depois de descontada a taxa liberatória de 28%, a rentabilidade líquida efetiva fica sempre bastante abaixo do valor bruto anunciado.
Vantagens principais:
- Capital garantido pelo banco e coberto pelo Fundo de Garantia de Depósitos até 100.000€ por depositante e por instituição, o que dá segurança equivalente à de um produto de poupança sem risco.
- Grande diversidade de prazos e condições, de 1 mês a vários anos.
- Possibilidade de escolher entre depósitos com juros pagos no início, no final ou periodicamente.
- Fácil comparação entre bancos, com muitas campanhas atrativas para novos clientes.
Limitações a considerar:
- Mobilização antecipada frequentemente penalizada, com perda parcial ou total dos juros.
- As melhores taxas costumam exigir montantes mínimos elevados ou ser exclusivas para “dinheiro novo” (não permitem transferir poupanças já existentes no mesmo banco).
- A taxa pode ser fixa ou indexada à Euribor, o que implica atenção redobrada às condições contratuais.
Tabela Comparativa
| Critério | Certificados de Aforro | Depósitos a Prazo |
|---|---|---|
| Rentabilidade | ~2,5% base (até 4,25% com prémio de permanência) | Entre 1,3% (média) e 3% (melhores campanhas) |
| Liquidez / Acesso ao dinheiro | Resgate antecipado permitido, sem grandes penalizações após 1 ano | Normalmente penalizado; depende das condições de cada depósito |
| Risco | Garantia soberana do Estado português | Garantido pelo Fundo de Garantia de Depósitos até 100.000€ |
| Prazos | Sem prazo fixo de vencimento (podem manter-se vários anos) | Definidos à partida (1 mês a vários anos) |
Conclusão: onde alocar o teu dinheiro?
Não existe uma resposta única — a escolha depende do perfil de poupador:
- Se valorizas segurança máxima e flexibilidade para resgatar o dinheiro quando precisares, os Certificados de Aforro tendem a ser mais vantajosos, sobretudo a médio/longo prazo, graças ao prémio de permanência.
- Se procuras uma taxa fixa conhecida à partida e estás disposto a bloquear o dinheiro por um prazo definido, vale a pena comparar as campanhas de Depósitos a Prazo, que em alguns bancos e por tempo limitado superam a oferta dos Certificados de Aforro.
- Para quem tem poupanças de curto prazo (menos de 1 ano), os depósitos com campanhas promocionais costumam ser mais atrativos.
- Para quem pensa em manter o dinheiro investido vários anos sem necessidade imediata de liquidez, os Certificados de Aforro costumam compensar mais, pela isenção de comissões e pelo efeito acumulado do prémio de permanência.
Em qualquer dos casos, o mais importante é comparar sempre as condições atualizadas antes de decidir, já que as taxas destas duas aplicações financeiras em Portugal são revistas com frequência e podem mudar de mês para mês.
Nota: as taxas apresentadas neste artigo refletem valores em vigor em agosto de 2026 e servem apenas como referência informativa. Antes de investir, consulta sempre as condições atualizadas junto do IGCP ou do teu banco.
